Para estimular PIB, novas medidas podem ser adotadas, diz Mantega.
Ele não descartou corte do compulsório ou de tributos para subir crédito. Na visão de Mantega, taxas de juros bancárias ainda estão elevadas.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
disse nesta quinta-feira (10) que o governo federal pode adotar novas
medidas para estimular o crescimento da economia brasileira em um
momento de agravamento da situação internacional.
"Temos várias medidas [que podem ser tomadas]. O importante é que a
diferença dos países avançados, que já não têm mais política monetária
[possibilidade, por exemplo, de reduzir juros] para fazer, pois já
fizeram tudo o que tinham de fazer neste quesito, o Brasil tem muita
política para fazer. Tem muito lastro para fazer", declarou Mantega a
jornalistas.
Compulsório e IOF
Questionado especificamente sobre
a possibilidade de redução dos depósitos compulsórios, ou do Imposto
Sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito, o ministro
da Fazenda declarou que não comentaria quais medidas poderiam ser
tomadas, mas também não afastou a possibilidade de anunciá-las.
"Não vou mencionar medidas específicas. Vocês mesmos falam na imprensa
todos os dias.Várias daquelas medidas podem ser tomadas e nós estaremos
tomando", disse Guido Mantega.
Crédito ainda escasso e juros bancários altos
Mantega avaliou que o Brasil ainda possui problemas de escassez de
crédito, e de taxas de juros bancárias elevadas. "Há [escassez de
crédito] e as as taxas estão elevadas. Mas eu vejo que há uma boa
vontade de parte do setor financeiro para remediar essa situação,
baixando as taxas e liberando mais crédito. É claro que nós vamos
conferir isso. Estamos em cima disso todo dia", afirmou ele.
Crescimento do PIB
Segundo o ministro, usando instrumentos de política econômica, o Brasil
vai crescer neste ano mais do que a taxa de expansão de 2,7% registrada
em 2011. "Posso assegurar isso", declarou. Atualmente, a previsão do
Ministério da Fazenda para o crescimento deste ano é de 4,5%, bem acima
dos 3,2% de expansão estimados pelo mercado financeiro.
"O Brasil, é claro, tem impacto do que acontece lá fora, principalmente
do lado da indústria, porque os mercados continuam encolhidos. Os
Estados Unidos não estão dando sinais de um dinamismo, então isso nos
afeta. Mas temos condições para um crescimento maior, porque nos
dependemos do nosso mercado interno", declarou ele.
Em sua visão, a taxa de câmbio, que oscila ao redor de R$ 1,95, ajuda a
economia brasileira, porque, além de tornar as exportações mais
baratas, também inibe a entrada de produtos importados, que se tornam
mais caros. "O câmbio vai dificultar a entrada de importados. Pelo
menos, vai encarecê-los, dando mais espaço para os produtos
brasileiros", acrescentou.
Inflação
Mantega ainda minimizou a aceleração do
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em abril, dizendo
que a alta de 0,64% do indicador (o maior valor mensal desde abril de
2011) não preocupa.
"Continuamos com inflação muito menor do que no ano passado. Existem
razões, como a elevação do cigarro, de 15% [para o crescimento da
inflação em abril]. Foi o maior vilão da inflação. Tivemos feijão,
empregada doméstica, alguns itens que elevaram. Porém, nada preocupante
porque ela vai continuar em trajetória menor do que no ano passado",
declarou a jornalistas